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Distill the life thats inside me

Segundas-feiras têm justificado a fama de serem insuportáveis, talvez não tanto quanto as terças, certamente menos que as quintas, mas nunca tão ruins quanto as noites de domingo, as tardes de sábado e as manhãs de sexta-feira.

Estou lendo O Vendido, de Paul Beatty. Sinto vontade de abraçar esse cara. Assim como sinto vontade de abraçar Gary Clark Jr. O Vendido é para ler ouvindo Gary Clark Jr., especialmente The Story of Sonny Boy Slim.

Mas o quero mesmo é algo como Agarre a vida, de Saul Bellow. Sinto-me como Tommy Wilhelm a essa altura da vida. Bem, acho que me sinto como ele desde meus 16 anos. Por falar em vida pensei em algumas certezas que você precisa ter para seguir adiante:

1- Você não será feliz – ao menos não totalmente;

2- Você não ficará rico – muito rico eu quero dizer-, ao menos não nesse país;

3- Você será esquecido completamente logo após abotoar o paletó – ou seja, é impossível lutar contra a morte e o esquecimento.

Dito isso, é só seguir em frente, conhecer pessoas originais e divertidas, viajar, fazer sexo com regularidade e ouvir Church, de Gary Clark Jr., tomando uma garrafa de vinho e pensando em como a arte pode salvar um dia. Ou uma vida.

Benett

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Desenhar é morrer

Fábio Zimbres foi a segunda pessoa que ouvi falar esse mês sobre como desenhar era um ato de felicidade aos 6 anos de idade. “Para que transformar em angústia algo que é um prazer?”, disse ele. Engraçado, desenhar, para mim, sempre foi uma fonte constante de angústias e frustrações. Acho que desde os meus 6 anos de idade. Era e é um verdadeiro pesadelo do qual não consigo – e nem pretendo- me livrar.

Desenhar, no meu caso, não é descarregar estresse ou libertar-se de demônios interiores. É o contrário disso, é quando trago para a realidade (prancheta) limitações e percepções de derrota avassaladoras, traumas, frustrações, desespero. Muitas vezes, depois de horas e horas no meu estúdio, saio como se tivesse encontrado um urso marrom em meu caminho e tivesse tomado uma surra memorável. É isso, eu sempre levo uma surra memorável de meus desenhos. A ponto de ficar exaurido física e mentalmente.

Quando o desenho publicado sai uma merda é porque lutei horas e horas contra ele e o estraguei de maneira solene. O que era espontâneo desapareceu dando lugar a um simulacro de originalidade – normalmente algo mal acabado, mal resolvido e com cara de outra coisa, menos um desenho original.

Eu nunca estou desenhando. Como alguns desenhistas obsessivos sempre com bloquinhos e canetas à mão, onde quer que estejam. Eu sempre evito o contato. Prefiro rabiscar as ideias, criar piadas e textos. Desenhar é como morrer. Morre a ideia -como diria Henfil-, morre o prazer, morre a espontaneidade. Morre o autor, sobra o operário da prancheta.

Agora, nessa mesma hora, abandonei a mesa de desenho e vim escrever esse relato cruel de minha incapacidade de finalizar quatro ilustrações relativamente fáceis para um texto sobre humor. Parecia fácil. Era fácil. Mas a neurose deixou tudo complicado e a autocrítica impiedosa demoliu a confiança. Agora é esperar para ver se consigo resolver isso amanhã. Quando a água do prazo começa a bater no pescoço.

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Charge de hoje na Folha

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A tira Salmonellas acabou

Hoje o jornal onde trabalhei por 17 anos bateu as botas. Essas são as últimas tiras que publiquei sob o título de Salmonellas. Uma série com alguma longevidade: 15 anos. Talvez 16, mas o que importa agora que ela foi para o limbo das tiras em quadrinhos, como diria o Jaguar?

Dia 31/05/2017

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Dia 30/05/2017

ontem

Dia 29/05/2017

anteontem

Essa tira aí de cima, no FB, disseram que poderia levar pessoas a cometer suicídio. Sério? Essa ela é tão ruim assim?

***

Enfim, não vamos ficar adulando o cadáver nem debruçados sobre o caixão lembrando o quanto aqueles dias de glória e loucura eram felizes. Agora é hora de por outros projetos em prática. Em breve vocês (tem alguém lendo isso?) saberão do que estou falando.

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Crime político

“Querem criminalizar a política”, dizem políticos sob suspeita de terem cometido crimes usando o cargo político para isso. Ninguém está querendo criminalizar a política. Só queremos que os criminosos que se tornaram políticos paguem por seus crimes. Mas, daqui a pouco, da maneira como o Congresso tem manejado as coisas, vão dizer que os eleitores também são criminosos, ou cúmplices, porque elegeram os criminosos para cargos políticos. E, quando menos esperarmos, estaremos nas capas da Veja, nas colunas do Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino e sendo julgados, processados e condenados pelo juiz Sérgio Moro.

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