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Range Life

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Imagem postada por Daniel Johnston em seu Twitter

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Uma especulação sobre J.D. Salinger

E se as pessoas foram até os cofres de J. D. Salinger e encontraram, ao invés de livros e mais livros que ele disse que passou a vida escrevendo, apenas pilhas de cadernos com os mesmos dizerem esquizofrênicos de Joe Gould ou algo assim?

Em O Segredo de Joe Gould, o jornalista Joseph Mitchel, encantado com a figura de um mendigo literário que habitava o Greenwich Village, escreveu um longo texto sobre a curiosa figura que se dizia um escritor e que estava trabalhando na grande obra de sua vida: A História Oral. O artigo foi publicado no Village Vanguard ou The New Yorker, não lembro ao certo.

Bem, a História Oral seria composta de relatos e fofocas que Gould teria ouvido de sub-celebridades que frequentavam os bares e festas do moderno bairro de NY. Segundo Gould, ele anotava tudo o que ouvia de artistas, jornalistas e intelectuais e aquele seria o documento de uma Era. No entanto, passaram-se anos e A História Oral nunca ficava pronta.

Joseph Mitchell foi atrás e descobriu que esse livro nunca existiu, que os cadernos que Joe Gould levava para cima e para baixo dentro de mochilas e sacos de pano, não tinham nada, exceto as mesmas duas frases -que também não lembro qual era, por isso é bom você ler o livro- repetidas com uma ou outra palavra trocada. Mitchell indignou-se e escreveu uma nova história, desvendando a fraude que ele mesmo ajudou a alimentar – literalmente, uma vez que sempre pagava um rango para o mendigão esperto. Os dois textos de Mitchell viraram O Segredo de Joe Gould.

Segundo o desejo de Salinger, os livros só poderiam ser publicados a partir de 2014. Já se passaram quase três anos e nenhuma notícia desses livros do recluso escritor. O que aconteceu? Cadê o livros? Qual editora irá publicá-los? Será que estão segurando o livro por problemas judiciais? Será que os livros são uma merda? Como acabou a vida da família Glass? E Holden Caulfield, realmente cresceu e se tornou John Lennon?

Ou tudo o que descobriram eram cadernos com a frase “trabalho sem tesão faz de J.D. Salinger um bobão”?

Benett

 

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Distill the life thats inside me

Segundas-feiras têm justificado a fama de serem insuportáveis, talvez não tanto quanto as terças, certamente menos que as quintas, mas nunca tão ruins quanto as noites de domingo, as tardes de sábado e as manhãs de sexta-feira.

Estou lendo O Vendido, de Paul Beatty. Sinto vontade de abraçar esse cara. Assim como sinto vontade de abraçar Gary Clark Jr. O Vendido é para ler ouvindo Gary Clark Jr., especialmente The Story of Sonny Boy Slim.

Mas o quero mesmo é algo como Agarre a vida, de Saul Bellow. Sinto-me como Tommy Wilhelm a essa altura da vida. Bem, acho que me sinto como ele desde meus 16 anos. Por falar em vida pensei em algumas certezas que você precisa ter para seguir adiante:

1- Você não será feliz – ao menos não totalmente;

2- Você não ficará rico – muito rico eu quero dizer-, ao menos não nesse país;

3- Você será esquecido completamente logo após abotoar o paletó – ou seja, é impossível lutar contra a morte e o esquecimento.

Dito isso, é só seguir em frente, conhecer pessoas originais e divertidas, viajar, fazer sexo com regularidade e ouvir Church, de Gary Clark Jr., tomando uma garrafa de vinho e pensando em como a arte pode salvar um dia. Ou uma vida.

Benett

BenettCartunistaChargista

 

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Desenhar é morrer

Fábio Zimbres foi a segunda pessoa que ouvi falar esse mês sobre como desenhar era um ato de felicidade aos 6 anos de idade. “Para que transformar em angústia algo que é um prazer?”, disse ele. Engraçado, desenhar, para mim, sempre foi uma fonte constante de angústias e frustrações. Acho que desde os meus 6 anos de idade. Era e é um verdadeiro pesadelo do qual não consigo – e nem pretendo- me livrar.

Desenhar, no meu caso, não é descarregar estresse ou libertar-se de demônios interiores. É o contrário disso, é quando trago para a realidade (prancheta) limitações e percepções de derrota avassaladoras, traumas, frustrações, desespero. Muitas vezes, depois de horas e horas no meu estúdio, saio como se tivesse encontrado um urso marrom em meu caminho e tivesse tomado uma surra memorável. É isso, eu sempre levo uma surra memorável de meus desenhos. A ponto de ficar exaurido física e mentalmente.

Quando o desenho publicado sai uma merda é porque lutei horas e horas contra ele e o estraguei de maneira solene. O que era espontâneo desapareceu dando lugar a um simulacro de originalidade – normalmente algo mal acabado, mal resolvido e com cara de outra coisa, menos um desenho original.

Eu nunca estou desenhando. Como alguns desenhistas obsessivos sempre com bloquinhos e canetas à mão, onde quer que estejam. Eu sempre evito o contato. Prefiro rabiscar as ideias, criar piadas e textos. Desenhar é como morrer. Morre a ideia -como diria Henfil-, morre o prazer, morre a espontaneidade. Morre o autor, sobra o operário da prancheta.

Agora, nessa mesma hora, abandonei a mesa de desenho e vim escrever esse relato cruel de minha incapacidade de finalizar quatro ilustrações relativamente fáceis para um texto sobre humor. Parecia fácil. Era fácil. Mas a neurose deixou tudo complicado e a autocrítica impiedosa demoliu a confiança. Agora é esperar para ver se consigo resolver isso amanhã. Quando a água do prazo começa a bater no pescoço.

TiraALTA-01

 

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