Sem categoria

Midnight Special

Salmonellas-09022018baixa

02

Salmonellas-10022018baixa

Anúncios
Padrão
Sem categoria

Free bird

01

SALMONELLAS-28012018baixa

02

SALMONELLAS-29012018baixa

Ela e ele

Ele nunca estava disponível, ela era solícita e sempre queria ir a algum lugar mais interessante do que o sofá de casa ou a escrivaninha do quarto. Ele sempre tentava convencê-la a ficar assistindo a algum filme dos anos 90, ela só ficaria se fosse um clássico em preto e branco com ao menos 50 anos de existência, e isso num domingo a noite. Ela gostava de dançar e não se importava em ouvir Anitta numa festa, ele torcia o nariz para nada que não fosse aprovado por Thelonious Monk. Ela sempre sorria, ele estava sempre distante. Ela conseguia compreender que a vida era muito maior do que seus egos, apesar de que o ego dele estava em constante expansão. Ela tentava ficar longe da rotina, ele necessitava ardorosamente de regras e hábitos. Ela gostava de Basquiat e Jeanne Saville, ele se esgueirava da louça. Ele não fumava maconha, mas falava muito quando bebia. Ela acendia um antes do café da manhã e comia só uma maçã antes do almoço. Ele olhava para o vazio o tempo todo, ela olhava nos olhos e exigia sinal de vida. Não ficaram juntos. Ele foi atropelado pelo carro do sonho. Ela ficou grudada para sempre em uma colagem no porão de sua casa.

FIM

 

Lynyrd Skynyrd

Padrão
Sem categoria

Ding dong!

Amok vive! Decidi fazer um teste e abrir uma loja virtual na Iluria, onde os incríveis Allan Sieber e Adão Iturrusgarai vendem suas obras. A princípio vou vender camisetas do Amok – apenas 17 unidades!- e uns livros que a editora disponibilizou – apenas 10.

AMOK-AltoDoSite cópia

O preço é acessível, e cada produto vem com um desenho original de brinde:

CAMISETA-01

Clica aqui para saber mais —>  http://zongo.iluria.com/

Se der certo, quem sabe não consigo financiar um jornal de humor nos moldes do Charlie Hebdo? Ou um site, para ser mais realista? Quem sabe? Quem sabe???

01

Benett

 

Padrão
Sem categoria

Hurt

Tudo me deixa deprimido. A internet lenta do meu computador no final da tarde me deixa deprimido. Ler as notícias sobre o Brasil me deixa deprimido. Ler sobre Marco Feliciano me deixa deprimido. Ver figuras como Rodrigo Constantino me deixa deprimido. Desenhar me deixa deprimido. Meu café sem gosto me deixa deprimido. Beber vinho a noite em frente a TV me deixa deprimido. Tentar encontrar algo interessante na TV me deixa deprimido. O silêncio das minhas ideias me deixa deprimido. Fingir não estar deprimido me deixa deprimido. Ser engraçado na frente de amigos me deixa deprimido. Sorrir amarelo me deixa deprimido. Não ter mais o mesmo desejo de realizar algo substancial, se não para os outros ao menos para mim, me deixa deprimido. Não alimentar nenhuma expectativa sobre os rumos da vida me deixa deprimido. Saber que lindos projetos de livros do Amok e das tiras de amor provavelmente nunca irão acontecer me deixa deprimido. Ter pesadelos todas as noites me deixa deprimido. Acordar me deixa deprimido. A ausência de pessoas me deixa deprimido. Ter pessoas por perto me deixa deprimido. Vir aqui reclamar de tudo me deixa deprimido. Ouvir Johnny Cash me deixa feliz.

Padrão
Sem categoria

Near wild heaven

Parece agora que Fenshawe sempre existiu. É assim que Auster começa a terceira história de sua trilogia de Nova York. Esse frase ficou na minha cabeça e tenho pensado nela todos os dias. Parece que Fenshawe sempre existiu. Parece que sempre existi, mas a verdade é que não tenho certeza disso. Para mim, talvez eu nunca tenha existido realmente. Outro dia ouvi Nelson Rodrigues contando que Otto Lara Resende lhe disse que o homem é triste porque morre. Nelson disse que o homem é triste porque vive. Eu acho que o homem é triste  porque é homem. Porque sabe que vai morrer e porque sabe que existir não é a mesma coisa que ser feliz. As vezes o homem é triste porque tem que ler frases como essas.

Cortei meu próprio cabelo outra vez e, outra vez, estou com vergonha de sair na rua sem uma burca. Porque não ficaram “caminhos de rato” pela cabeça toda. São verdadeiras autopistas de ratazanas do tamanho de jacas pela cabeça. Preciso de um gorrinho igual ao do Wally, de Onde está Wally?. Por falar em Wally, adoro um cartum que mostra Waldo (o verdadeiro nome de Wally) bebendo deprimido no balcão de um bar e se lamuriando para um desconhecido. “Todo mundo pergunta ‘onde está Waldo’. Ninguém pergunta ‘COMO está Waldo'”.  Como eu luto para conseguir criar um cartum desses. Aliás, Waldo tem esse nome por causa de Ralph Waldo Emerson? Nunca li Ralph Waldo Emerson.

Mas Paul Auster tem me fascinado da mesma maneira que Saul Bellow, talvez porque tenham um estilo meio parecido. A história que Black conta para Blue, no segundo texto do livro, sobre Walt Whitman, é de morrer de rir, apesar de trágica – ele consegue fazer uma analogia entre um cérebro e um penico cheio. Fenshawe se encaixou incrivelmente na minha própria história. Também tinha um amigo de infância muito próximo e que depois se distanciou. No entanto, quando estávamos recuperando nossa convivência, ele morreu de forma repentina e trágica. Um dos seus livros favoritos era justo A Trilogia de Nova York. Ele sempre me falava de Paul Auster, eu tinha o livro, mas só estou lendo agora. E  agora parece agora que Paul Auster sempre existiu. (Benett)

Padrão